This is my rendition of bubblebath’s assignment for pronouncing the following words:
つき つらら つばさ つなみ つみれ つち つの つる
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Posted by pazu, Sat Jun 16 15:08:00 UTC 2007
Posted by pazu, Fri Jun 15 14:06:00 UTC 2007
Vamos ver como o Professor Kimura responde à pergunta da Tomo:

女子高生【じょしこうせい】 - estudante (menina) colegial
好き【すき】 - gosto; preferência; amor (adj)
Para dizer que você gosta ou não gosta de alguma coisa em Japonês, usamos dois adjetivos-na: 好き【すき】 e 嫌い【きらい】. Sim, adjetivos, e não verbos. Se ajudar, você pode pensar nestas palavras como “gostável” e “detestável”. Vamos ao exemplos:
カレーが好きだ。
Curry [sujeito] gostável [cópula]
Gosto de curry.
E com 嫌い:
野菜が嫌いだ。
Vegetais [sujeito] detestável [cópula]
Eu odeio vegetais.
OK, então eu gosto de curry, e odeio vegetais. Mas você é uma pessoa que cuida da saúde, e adora frutas e vegetais. A partícula と vai fazer o papel desse “e” em sua frase:
果物と野菜が好きだ。
Frutas e vegetais [sujeito] gostável [cópula]
Gosto de frutas e vegetais.
A partícula と implica que os elementos listados são todos os elementos da lista. Ou seja, a frase acima diz que você gosta de frutas, vegetais, e mais nada.
Para criar frases com um sentido não-exaustivo, a partícula や deve ser utilizada. Quando você usa や, você quer dizer que podem haver mais coisas além daquelas que você citou.
りんごやみかんやレモンが好きだ。
Maças e tangerinas e limões [sujeito] gostável [cópula]
Eu gosto de maçãs, tangerinas e limões (e outras coisas).
とか compre a mesma função, mas é um pouco mais informal:
りんごとかみかんとかレモンが好きだ。
Maças e tangerinas e limões [sujeito] gostável [cópula]
Eu gosto de maçãs, tangerinas e limões (e outras coisas).
Na frase do Professor Kimura, とか está sendo utilizado com apenas um substantivo. Nesse caso, a implicação é que existem outras coisas “do tipo” que o professor pode gostar. Pra fechar, vamos ver a frase completa do nosso sincero professor:
女子高生とか好きだから
Estudantes colegiais [toka] gostável [porque].
Porque eu gosto de estudantes colegiais (e tal)!

Posted by pazu, Thu Jun 14 17:14:00 UTC 2007
Estamos no final da parte básica de nossas aulas de japonês. Já aprendemos os principais elementos da gramática japonesa, e como utilizá-los numa frase completa. Daqui pra frente, vou adotar uma abordagem mais prática, onde em cada post vou escolher um trecho de mangá, uma música, um vídeo, uma reportagem de jornal, enfim, um pedaço real de alguma coisa em japonês, e estudar as palavras e padrões de frase que aparecem.
Para inaugurar esse novo conjunto de posts, vamos examinar uma tirinha de あずまんが大王, um mangá de あずまきょひこ publicado originalmente entre 1999 e 2002 na revista 電撃大王 no formato de 4コマ (tirinhas de quatro quadros). A tirinha que vamos ver hoje é a primeira aparição de 木村先生, um professor de lituratura clássica de coração sincero e preferências peculiares.

Para entender essa frase por inteiro, vamos estudar três novos pontos gramaticais: como expressar perguntas e motivos, a construção ~になる, e a terminação polida です.
A garota no quadro é 滝野智, mais conhecida como ともちゃん. Tomo é uma garota energética, competitiva, e claro, curiosa. A pergunta dela começa com 「先生はどーして…」. どーして é uma forma um pouco diferente de escrever どうして, que quer dizer “por que”. どうして é utilizada para expressar uma pergunta onde você está buscando o motivo ou razão de alguma coisa.
A resposta para uma pergunta feita com どうして tem então que conter a palavra から, que é a forma de fornecer motivos ou razões para alguma coisa. Por exemplo:
どうして昨日行かなかった?
Por que ontem não veio?
Por que (você) não veio ontem?忙しいから。 Ocupado porque.
Porque (eu estava) ocupado.
Quando o motivo é um substantivo ou adjetivo-na não conjugado, から deve ser precedido do estado-de-ser だ:
どうして彼女とデートする?
Por que ela com namorar?
Por que você namora com ela?親切な人だから。
Gentil pessoal [estado-de-ser] porque.
Porque ela é uma pessoa gentil.
Quando tanto o motivo quanto a conseqüência aparecem na mesma frase, o motivo tem que vir primeiro:
忙しいから、昨日行かなかった。
Ocupado porque, ontem não vim.
Não vim ontem porque estava ocupado.
Uma nota para a palavra 昨日 (ontem), que funciona como um advérbio temporal. Advérbios são anexados diretamente aos verbos que eles estão modificando, sem nenhuma partícula entre eles. Veremos mais sobre advérbios em outro post.
Continuando com a frase da Tomo, ela diz 「~先生になったん」. O verbo なる quer dizer “tornar”, “tranformar”, entre outros significados. A partícula に é utilizada para denotar o objetivo 「目的」 de uma ação, particularmente das que indicam movimento ou transformação. 「先生になる」 então quer dizer “tornar-se professor”.
Na frase da Tomo, なる está conjugado no passado 「なった」, seguido de um ん, que é uma forma reduzida da partícula の. Quando utilizado no final de uma sentença, の tem uma função parecida com だ, mas de forma bem mais suave. Tomo-chan é uma garota sensível, então não vai sair declarando as coisas com a força que だ implica – ao invés disso, ela usa の, ou como neste caso, a sua forma reduzida, ん.
Além disso, o ん está seguido da partícula です, que é uma partícula adicionada no final para deixar as frases mais polidas, mais educadas. です também pode realizar o mesmo papel que だ, mas assim como の, não tem a mesma força. Ao usar の e です, Tomo está tornando a frase dela suave e educada – como tem que ser uma frase de uma estudante para um professor.
Por fim, a pergunta da Tomo termina com か, que é o marcador de perguntas – ele não desempenha função nenhuma além de indicar que a frase que ele está terminando é uma pergunta. Não tínhamos visto essa partícula até agora porque ela normalmente só é usada na linguagem formal; coloquialmente, o か é omitido, e a entonação se encarrega de identificar as perguntas.
O japonês formal tem muito mais nuances além do です e do か – com o tempo, vamos estudar diversas construções para falar de forma mais sutil e educada.
Finalmente, podemos entender a frase inteira da Tomo:
先生はどうして先生になったんですか?
Professor [tópico] por que professor tornou-se?
Por que o senhor se tornou um professor?
Enfim, a Tomo está perguntando ao Professor Kimura o que levou ele a optar pela vida acadêmica. A resposta dessa pergunta nós vamos ver no próximo post…
Posted by pazu, Mon Jun 11 17:30:00 UTC 2007
No último post apresentei os grupos verbais, e diversos exemplos de verbo. Continuando com nossa exploração no mundo das ações, vamos ver agora como conjugar um verbo na forma negativa e no passado.
A forma de conjugar verbos na negativa é diferente dependendo se o verbo é um verbo る ou um verbo う. Para verbos る, basta remover o る e adicionar ない. Para verbos う é um pouco mais complicado, mas não muito: basta trocar o último hiragana com som de う por um hiragana com o som de あ, e então adicionar ない. Ou seja, num verbo terminado em く, você troca o く por か e adiciona ない. Num verbo terminado em す, você troca o す por さ, e adiciona ない, e assim por diante. Atenção apenas aos verbos terminados em う, onde você tem que trocar o う por わ e não あ. Vamos conjugar todos os verbos usados como exemplo no último post na forma negativa:
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A tabela acima também inclui a negação dos dois verbos irregulares, する e くる, além da negação do verbo ある (haver, existir), que especialmente neste caso tem uma conjugação irregular, e assume a forma ない quando utilizado na negativa.
Novamente, a conjugação de verbos no passado vai depender do grupo do verbo. Para verbos る, basta trocar o る por た. Para verbos う, no entanto, a coisa complica um pouco – a regra exata vai depender da terminação do verbo. Lá vem mais uma tabelinha.
| Final | Verbo | Mudança | Negativa |
|---|---|---|---|
| す | 出す | す→した | 出した |
| く ぐ | 歩く 泳ぐ | く→いた ぐ→いだ | 歩いた 泳いだ |
| む ぶ ぬ | 読む 飛ぶ 死ぬ | む→んだ ぶ→んだ ぬ→んだ | 読んだ 飛んだ 死んだ |
| う つ る | 洗う 待つ 走る | う→った つ→った る→った | 洗った 待った 走った |
Ou seja, os verbos う são subdivididos em quatro grupos. Aqueles terminados em す trocam o す por した; os terminados em く ou ぐ trocam o último hiragana por いた ou いだ; os terminados em む, ぶ ou ぬ (as terminações “suaves”) trocam o último hiragana por んだ, e por fim, os terminados em う, つ ou る trocam o último hiragana por った (com っ pequeno).
Agora estamos prontos para conjugar no passado os verbos る e う da tabela de exemplos:
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Dessa vez a exceção é o verbo 行く, que em sua forma passada é 行った e não 行いた. A essa altura vocês devem estar achando que eu menti para vocês quando disse que する e くる são os únicos verbos irregulares. Bom, eles são os únicos verbos classificados como irregulares, e vão ser exceções em todas as conjugações; mas em algumas conjugações um ou dois outros verbos também vão term uma forma irregular.
Note como todos os verbos, quando conjugados na negativa, terminam em ない. Para conjugar uma forma negativa no passado, você pode considerar todos os verbos como se fossem adjetivos い, e trocar o い por かった. Ou seja, 食べる → 食べない → 食べなかった. Pra isso não precisa tabelinha, né?
Posted by pazu, Tue Jun 05 03:16:00 UTC 2007
Estamos finalmente chegando perto da parte interessante, verbos. Adicionando verbos ao que já aprendemos até aqui vamos poder entender e formar frases mais complexas.
Verbos em japonês são divididos em três grupos básicos. O primeiro grupo é chamado de Verbos る, Grupo 1 ou 一段動詞 em japonês. Como o próprio nome diz, são os verbos cujas formas de dicionario (infinitivo) terminam no hiragana る – mais especificamente, aqueles que terminam com o som de いる ou える. Por exemplo, 食べる【たべる】 (comer) e 見る【みる】 (ver) são verbos do grupo 1.
O segundo grupo é chamado de Verbos う, Grupo 5, ou 五段動詞 em japonês. Estes são todos os verbos que terminam com o som de う. Por exemplo, 書く【かく】 (escrever), 泳ぐ【およぐ】 (nadar) e 話す【はなす】 (conversar) são verbos do grupo 5. A maioria dos verbos cai neste grupo.
O fato dos verbos do grupo 5 terminarem com o som de う leva a uma terrível infelicidade: sons terminados em う incluem aqueles terminados em いる ou える, que são a marca registrada do grupo 1. Ou seja, um verbo terminado em いる ou える pode ser tanto do grupo 1 ou do grupo 5; não existe nenhuma regra pra ter certeza, o jeito é decorar. A maioria vai ser do grupo 1, mas nem todos. Na dúvida, consulte um dicionário; a maioria deles indica o grupo ao qual os verbos pertencem. O WWWJDIC, por exemplo, marca todos os verbos do grupo 1 com (v1), e todos os verbos do grupo 5 com (v5x), onde x é a consoante inicial do último hiragana, ou seja, 書く seria marcado com (v5k) e 話す com (v5s).
Por fim, o terceiro grupo é composto pelos verbos irregulares, que são apenas dois: する (fazer) e くる (vir). Estes dois verbos quase sempre vão ter conjugações irregulares, diferente daquelas do grupo 1 ou grupo 5.
Vamos fechar o post com uma pequena lista de verbos, e os grupos aos quais eles pertencem.
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Posted by pazu, Wed May 30 21:04:00 UTC 2007
Em tema e sujeito tivemos nosso primeiro contato com um adjetivo, 白い (branco). Agora está na hora de falar mais sobre adjetivos, e aprender como eles são categorizados, flexionados, e associados a substantivos.
Existem dois grupos de adjetivos em japonês. O primeiro é chamado de “adjetivos-i”, “adjetivos verdadeiros”, ou 形容詞 em japonês. O outro grupo é chamado de “adjetivos-na”, “adjetivos nominais”, ou 形容動詞.
Os adjetivos neste grupo são caracterizados por terminarem sempre com o hiragana い. Alguns exemplos de adjetivos-i:
白い 【しろい】 ー branco
黒い 【くろい】 ー preto
細い 【ほそい】 ー fino
太い 【ふとい】 ー grosso
大きい 【おおきい】 ー grande
小さい 【ちいさい】 ー pequeno
Adjetivos-i são associados a substantivo simplesmente colocando-os na frente do substantivo sendo modificado. 白い猫 é “gato branco”. 太い本 é “livro grosso”, e assim por diante.
Quando utilizados como predicado, os adjetivos-i se comportam como verbos, com um estado-de-ser implícito. Por este motivo, você não deve adicionar だ no final de uma frase onde um adjetivo-i é o predicado. Alguns exemplos:
本は太い
O livro, ele é grosso猫は白い
O gato, ele é branco車は速い
O carro, ele é rápido本は太いだ × Errado!
Assim como os substantivos, os adjetivos-i também podem ser conjugados em dois tempos, na afirmativa e na negativa. Para conjugar um adjetivo-i na forma negativa, remova o い e adicione くない ao adjetivo:
白い → 白
い→ 白くない
太い → 太い→ 太くない
Para conjugar um adjetivo-i no passado, remova o い e adicione かった:
白い → 白
い→ 白かった
太い → 太い→ 太かった
Note como o adjetivo continua terminando em い mesmo depois de conjugado na negativa. Para formar a negativa passada, combinamos as duas técnicas, primeiro flexionando o adjetivo na negativa, e então tratando ele como um novo adjetivo-i, e flexionando no passado:
白い → 白くない → 白くな
い→ 白くなかった
太い → 太くない → 太くない→ 太くなかった
Uma tabelinha pra sumarizar, usando 白い como exemplo:
| Afirmação | Negação | |
|---|---|---|
| Não-passado | 白い | 白くない |
| Passado | 白かった | 白くなかった |
Estes são os adjetivos que não terminam com o hiragana い, pelo menos não quando escritos com seus radicais em kanji. Alguns exemplos:
静か 【しずか】 ー calmo, quieto
親切 【しんせつ】 ー gentil, educado
有名 【ゆうめい】 ー famoso
奇麗 【きれい】 ー bonito, arrumado
元気 【げんき】 ー bem, saudável
Note como nenhum dos adjetivos da lista acima terminam com o hiragana い quando escritos totalmente em kanji, mas podem terminar com い se escritos em hiragana. きれい quase nunca é escrito em kanji, então é um que vale a pena lembrar que é adjetivo-na apesar de terminar com o hiragana い. Existe uma exceção de verdade, que é 嫌い【きらい】. Apesar de terminar em い mesmo quando escrito em kanji, 嫌い é considerado um adjetivo-na.
Quando usados para modificar um substantivo, os adjetivos-na precisam de um な adicionando entre eles e o substantivo. Uma pessoa famosa então seria 有名な人, e uma pessoal gentil seria 親切な人.
Utilizados como predicado, os adjetivos-na se comportam como substantivos (daí o nome de adjetivos nominais), e podem ter o estado-de-ser だ adicionado. Ou seja:
フェルナンドは親切な人だ
Fernando, ele é uma pessoa gentil公園は静かだ
O parque, ele é quieto
Os adjetivos-na também se comportam como substantivos ao serem conjugados. Basta adicionar じゃない para conjugar na forma negativa, だった para conjugar no passado, e じゃなかった para conjugar na negativa passada:
| Afirmação | Negação | |
|---|---|---|
| Não-passado | 親切 | 親切じゃない |
| Passado | 親切だった | 親切じゃなかった |
Revise o post sobre negação e passado de substantivos, se você não se lembra disso.
Posted by pazu, Fri May 25 21:19:00 UTC 2007
Em As coisas são o que são, aprendemos como afirmar a existência de alguma coisa em japonês. Continuando nessa linha, vamos agora negar a existência de alguma coisa, e fazer isso em outros tempos verbais.
Para negar a existência de algo, temos que flexionar o substantivo no passado. Para isso, basta adicionar じゃない no final do substantivo. 本じゃない diz que “não é livro”. 学生じゃない diz que “não é estudante”. Qualquer substantivo pode ser conjugado assim, sem nenhuma exceção.
O pretérito dos substantivos é formado de forma similar, mas adicionando だった ao invés de じゃない. Se alguém perguntar o que estava em cima da sua mesa, você pode responder 本だった para dizer que era um livro. Para formar a negativa no pretérito, primeiro você flexiona o substantivo na forma negativa (じゃない) e depois substitui o último い por かった. Resumindo, você adiciona じゃなかった ao substantivo. Se o que estava em cima de sua mesa não era um livro, 本じゃなかった vai dizer isso.
A tabela a seguir resume a flexão de substantivos nas quatro formas que aprendemos até agora.
| Afirmação | Negação | |
|---|---|---|
| Não Passado | 本だ | 本じゃない |
| Passado | 本だった | 本じゃなかった |
Hmm… a essa altura você já deve está perguntando por que eu não mencionei nada sobre o futuro, e porque a tabela acima tem uma linha com o título “não-passado” ao invés de “presente”. Japonês não tem um tempo verbal para o futuro. Quando você precisa expressar qualquer ação no futuro, você simplesmente constrói a frase no presente, e um advérbio temporal (por exemplo, “amanhã”) vai acabar indicando que você está falando de algo que ainda não aconteceu, ou o próprio contexto vai tornar isso claro. Aguarde um pouco, falaremos mais sobre isso depois.
Posted by pazu, Thu May 24 18:06:00 UTC 2007
Japonês é uma língua com tópico proeminente; uma língua cuja sintaxe destaca o tema da sentença. Cada sentença sempre tem a forma tema-comentário. Tema é o assunto da sentença, sobre o que você está falando, e comentário é qualquer coisa que está sendo declarada sobre o tema.
A distinção entre tema e sujeito é importante. Em japonês, vamos sempre marcar o tema da frase com a partícula は (pronunciada わ), e o sujeito com a partícula が, ambas utilizadas logo após do elemento que estão marcando.
As diferenças entre は e が são sutis. Em Making Sense of Japanese, Jay Rubin explica (em tradução livre) que ”A diferença entre は e が depende apenas do contexto. Nenhuma das duas são automaticamente ‘corretas’ sem um contexto apropriado, assim como ‘o cachorro’ não é mais ou menos certo que ‘um cachorro’. O uso de は e が depende do que o autor assume que você já sabe e do que ele acha que você precisa saber. Elas funcionam primariamente como indicadores de ênfase”.
は tem duas funções básicas. A primeira é destacar o assunto (tema) escolhido de outros possíveis assuntos, e a segunda é jogar a ênfase da frase em cima do que vem depois dele. Quando você diz 私は行った, você está escolhendo você mesmo como assunto. Você não está falando de mim, de seu chefe, ou de qualquer outra pessoa; você está falando de você. Além disso, você está enfatizando que você foi. Uma tradução da frase completa seria “eu fui”, mas essa tradução remove todas as nuances implicadas pelo は. Se quiséssemos preservar todo o significado da partícula, teríamos que traduzir como “eu não sei o que o resto das pessoas fizeram, mas falando de mim, eu FUI”… ou algo parecido.
が por sua vez enfatiza o que vem antes dele, e exatamente por isso, é normalmente utilizado em sentenças interrogativas. Quando você pergunta “quem foi?”, a ênfase da frase é no “quem”, e ao responder “eu fui”, você está enfatizando o “eu”. Em japonês a pergunta seria 誰が行った? e resposta, 私が行った. Essa ênfase é o motivo pelo qual você não usa が em simples frases declarativas. Você não chega pra uma pessoa do nada e larga um EU fui. Fora de contexto, a ênfase é desnecessária, e ficaria estranha.
Gramaticalmente, が vai sempre marcar o sujeito de um verbo ou adjetivo, e se o verbo for o núcleo da frase, vai acabar marcando o sujeito da frase. は não tem a mesma função. Vamos voltar para o nosso gato branco para entender por que は nunca marca o sujeito gramatical da frase.
猫は白いだ。
Gato [tema] branco é.
O gato, ele é branco.
Aqui, は identifica 猫 como o tema da frase. O sujeito gramatical da frase, no entanto, não é o gato, mas sim o pronome “ele” em “ele é branco”. Opa, mas este pronome não aparece na frase em japonês. A frase não tem sujeito então? Tem sim, mas o sujeito está implícito, não aparece por escrito. Esse conceito é chamado de sujeito nulo. Vejamos um exemplo onde a distinção entre sujeito e tema é mais clara:
猫は毛が白いだ
Gato [tema] pêlo [sujeito] branco é
O gato, o pêlo é branco
Primeiro, は marca o assunto da frase, que é o gato. Em seguida, が marca o sujeito gramatical, que é “o pêlo”. O comentário vem logo em seguida, 白いだ. Essa foi moleza.
Vamos analizar novamente a frase anterior, onde eu disse que o sujeito era o pronome “ele”. Pronomes são sempre substitutos para algo que já foi mencionado antes, ou que não conhecemos. Na frase “ele é branco”, “ele” está substituindo o gato, que já foi mencionado. Se usássemos o substantivo de verdade no lugar do pronome, a frase ficaria “o gato, o gato é branco”. Meio redundante, né? Por isso que usamos pronomes. Em japonês é a mesma coisa, com a diferença que ao invés de usar um pronome, nós simplesmente removemos o termo redundante. Aliás, japonês omite tudo que puder ser inferido pelo contexto. Se o sujeito já foi mencionado, ele some. Se o tema for conhecido, ele não aparece. Se o objeto ficar claro pelo contexto, você não vai ver nem sinal dele. Lembre-se disso pra depois.
Posted by pazu, Thu May 24 14:09:00 UTC 2007
Em qualquer língua, a primeira coisa que você aprende é como declarar a existência de alguma coisa. Antes mesmo de falar the book is on the table, você tem que aprender a dizer it’s a book. Em português, expressamos esse tipo de frase usando o verbo ser ou estar, em inglês é o verbo to be que cumpre esse papel. Japonês funciona diferente, e não usa um verbo pra isso – mas uma partícula, だ.
Este post, e aqueles que o seguirão, assumem duas coisas: que você aprendeu pelo menos a ler hiragana, e que você tem o rikaichan instalado. Não existe muito o que explicar sobre hiragana, e existem muitos sites para praticar tanto a escrita quanto o som. Katakana ajuda, mas não é obrigatório. Também vou usar kanji indiscriminadamente, e é exatamente por isso que você precisa do rikaichan.
“Livro” em japonês é 本【ほん】. Para dizer “é livro”, então, escrevemos 本だ. Mesa é 卓【たく】 então 卓だ significa “é mesa”. Se contentem com isso por enquanto, vai demorar um pouco até colocarmos o livro em cima da mesa…
Agora a melhor parte: o だ não é, na verdade, necessário. Ele adiciona um tom de afirmação à frase, mas é totalmente opcional, especialmente quando você não quer fazer uma frase com um forte tom de afirmação. Imagine que alguém lhe pergunta “o que está em cima da mesa?”. Você, armado do fantástico conhecimento que acaba de adquirir, estufa o peito, e diz com absoluta certeza: 本だ。A sua colega baixinha, tímida, de óculos, responderia apenas 本, olhando pra baixo e arrastando o pé.
O que eu quero dizer é que o だ adiciona um tom de afirmação que às vezes é forte demais. Ele é normalmente utilizado por homens na linguagem coloquial. Mulheres não costumam ser tão valentes em suas afirmações, e não usam だ。 Contextos mais formais, que exijam uma linguagem mais suave, também vão dispensar o だ。
Joinha. Então agora vocês já sabem como expressar a existência de alguma coisa. Pra fechar, aqui estão algumas palavras pra vocês saírem declarando para o mundo inteiro ouvir:
本【ほん】 – livro
卓【たく】 – mesa
魚【さかな】 – peixe
先生【せんせい】 – professor, mestre
学生【がくせい】 – estudante
学校【がっこう】 – escola
会社【かいしゃ】 – empresa
大人【おとな】 – adulto
子供【こども】 – criança
車【くるま】 – carro